Bairros flutuantes: a solução holandesa que tenta salvar o mundo que afunda.
- Portal de Notícias Tvgnews

- 5 de dez. de 2025
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Diante do aumento do nível do mar e das consequências dramáticas das mudanças climáticas, a Holanda vem se transformando em um verdadeiro laboratório de inovação urbana — e os bairros flutuantes despontam como um experimento audacioso para repensar a moradia em regiões costeiras. A ideia: construir casas fixas sobre a água, que sobem e descem conforme o nível dos rios, canais ou mares — uma alternativa para cidades vulneráveis à elevação das águas.
No subúrbio de Amsterdã, o bairro Schoonschip já mostra como essas moradias funcionam na prática. As casas são ancoradas a pilares de aço e têm cascos flutuantes de concreto; quando a água sobe, o conjunto todo se eleva, preservando a estrutura e garantindo segurança até nas tempestades mais fortes — como a de outubro de 2022, quando os moradores permaneceram abrigados e disseram ter sentido “mais segurança por estarem flutuando”.

Não se trata de casas-barco tradicionais nem de pontes improvisadas: os imóveis têm características de residências normais — com estrutura de madeira, aço e vidro — e são conectados a sistemas de saneamento, energia e infraestrutura urbana, como uma casa tradicional. A diferença é o casco flutuante e a fixação aos pilares submersos, que permitem que elas subam e desçam com a água, sem comprometer a moradia
Na Holanda, o interesse por habitações flutuantes cresce fortemente. Isso se deve não apenas à vulnerabilidade histórica do território, parte dele abaixo do nível do mar, mas também à escassez de terras e à alta densidade populacional — fatores que restringem a construção tradicional. Os bairros sobre água representam, então, um uso inteligente do espaço urbano, com potencial de expansão sem esgotar o solo disponível
Mais do que casas, o conceito já avança para comunidades completas. Em portos como o de Roterdã, por exemplo, já existem escritórios flutuantes, fazendas sobre água e até um edifício comercial flutuante — mostrando que a tecnologia pode contemplar habitação, trabalho e lazer com sustentabilidade.
Para os idealizadores, a construção sobre a água representa algo como “medicina urbana”. O arquiteto holandês Koen Olthuis, pioneiro no desenvolvimento dessas moradias, afirma que o desafio não é apenas técnico, mas existencial — transforma a água, historicamente vista como inimiga, em parceira da convivência humana.
Claro que o modelo não está isento de desafios: há que se considerar infraestrutura de saneamento e energia adaptada, resistência a ventos e tempestades, ruídos causados por movimento da água e adequações legais. Mas, diante da crise climática global e do risco real que muitas cidades costeiras enfrentam, os bairros flutuantes representam uma das alternativas mais inovadoras e promissoras para garantir moradia, segurança e continuidade das comunidades.
Se as previsões se confirmarem — com elevação contínua do nível do mar e aumento da frequência de eventos climáticos extremos —, talvez a resposta não seja construir mais alto, mas aprender a viver com a água. E os holandeses podem estar mostrando o caminho.
Fonte: G1 Globo.




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