O risco de um apagão global na internet com a sabotagem de cabos submarinos.
- Portal de Notícias Tvgnews

- 5 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
As vias invisíveis da internet pelo mundo — cabos de fibra óptica que cruzam o fundo do mar — estão sob ameaça crescente. Apesar de a internet parecer “eterna e instantânea”, cerca de 95 % da comunicação global depende desses cabos submarinos, estruturas físicas que conectam países e continentes.
🌐 Por que os cabos submarinos importam
Esses cabos carregam praticamente todo o tráfego intercontinental de dados: vídeo, voz, informações bancárias, serviços em nuvem, transações financeiras. Para termos uma ideia da escala: havia cerca de 500 cabos submarinos ativos em 2021, com extensão combinada de cerca de 1,3 milhão de quilômetros — e esse número continua crescendo.
Por isso, qualquer falha grave — acidental ou proposital — nesses cabos pode comprometer de forma séria a conectividade de países inteiros.

🛑 Quais os riscos e por que se fala em sabotagem
Nos últimos anos, episódios de rompimento de cabos submarinos têm chamado atenção. Embora a maioria seja atribuída a causas acidentais — como âncoras de navios, pesca ou desastres naturais —, há um crescente receio de que haja danos intencionais, motivados por disputas geopolíticas ou “guerra híbrida”.
Relatos recentes apontam que cerca de dez cabos importantes foram rompidos desde 2022, muitos deles entre novembro de 2024 e janeiro de 2025.
Alguns dos suspeitos citados são países como Rússia e China, especialmente em regiões marítimas como o Mar Báltico — embora até agora não haja comprovação pública definitiva de que os danos foram deliberados.
Especialistas alertam que esses ataques — “sem declaração de guerra”, mas com impacto real — fazem parte de um novo tipo de ameaça global ao que chamam de “infraestrutura crítica”: as conexões internacionais de dados.
🌍 O que aconteceria se os cabos fossem sabotados
Se um cabo vital for destruído, os impactos vão além de uma simples queda de internet local. Poderia haver lentidão generalizada, onde transações, serviços online, comunicações internacionais e operações financeiras seriam prejudicadas.
Em casos extremos — como múltiplos cabos sendo atingidos simultaneamente — a consequência poderia ser um “apagão digital” regional ou global, com interrupção de serviços essenciais.
Governos e empresas também ficariam vulneráveis, já que dados sensíveis, sistemas financeiros e infraestruturas críticas dependem dessas rotas submarinas. A evasão de dados ou interrupção de redes estratégicas poderia afetar economia, segurança nacional, comunicação e estabilidade global.
🔐 Como se protege essa estrutura — e por que continua frágil
Para reduzir os riscos, há esforços no mundo todo para reforçar a proteção desses cabos: monitoramento marítimo, restrições de navegação em áreas críticas, uso de rotas alternativas e reforço de legislação que penalize sabotagem.
Mesmo assim, a vulnerabilidade persiste. A própria natureza dos cabos — longos, espalhados por oceanos e muitas vezes sem vigilância constante — torna a tarefa de protegê-los extremamente difícil. Bastam atividades como pesca ou passagem de embarcações sem cuidado para causar danos.
Além disso, especialistas alertam que as recentes tensões políticas globais, com aumento de navios “fantasmas” e disputas marítimas, elevam o risco de ataques deliberados contra essa infraestrutura, como parte de estratégias híbridas de guerra ou espionagem.
✅ O que se pode fazer hoje
Diversificar rotas de conexão — ter múltiplos cabos e caminhos redundantes.
Monitoramento constante das áreas marítimas críticas, com fiscalização de navios, uso de satélites e vigilância internacional.
Diplomacia internacional e acordos de proteção para tornar os cabos submarinos patrimônio protegido globalmente.
Fortalecer normas e penalidades contra sabotagem intencional, com responsabilidade compartilhada entre estados e empresas.
A internet ao redor do mundo está literalmente “suspensa” sobre o oceano — e mesmo invisíveis, os cabos submarinos são as artérias que mantêm o planeta conectado. Quando essa infraestrutura é ameaçada, o impacto vai muito além de telas que “param de carregar”: pode comprometer comunicação, economia, segurança e estabilidade global. É uma vulnerabilidade silenciosa — mas real — que exige atenção coletiva.
Fonte: G1 Globo.




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